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SÊCA
(Geraldo Barbosa)

 Terra sêca, ceu vasí,
mato mucho, chão sem vida,
chêro de morte sintida
in cada taco de chão...

Barrêro sêco , torrado
cum os beiço aberto, rachado
sirrindo da mardição...

Uma vaca discarnada
na purtêra do currá,
um cachorro a si isticá
morto de fome e de sêde
vendo seu dono chorando
rimuendo e si quexando
prás varanda de uma rêde...

O vento sêco assoprando
rivirando a mataria,
di vez in quando assubia
no meio do matagá,

e o Só cum raiva si ispáia
chamuscando as maraváia
nas hora do meio dia

  Um carro de boi cansado
cuma se fosse tangido
pulo arrastado gimido
da boca dos dois cocão

cumpreta a coisa mais triste
qui só nós mermo arrisiste
qui é a sêca no sertão.

Ultima atualização:
quinta-feira, 24 de outubro de 2002
(No ar desde 05 de agosto de 2000)



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